quarta-feira, 31 de maio de 2017

A judaicidade pode ser comprovada com um teste de saliva?


              Um grupo de especialistas em genética e Halachá (lei religiosa judaica), que tem estudado o chamado “gene judaico”, afirmam que o gene pode ajudar a provar a “judaicidade” de alguém, de acordo com a lei religiosa judaica.  
              “Este pode ser um avanço significativo”, explicou o Rabino Yosef Carmel, líder da corte rabínica Gazit e do Instituto de Estudos Judaicos Avançados Eretz Hemdah. De acordo com Carmel, “o uso de um simples teste de saliva pode impedir um longo e difícil processo de conversão”.
              Qualquer pessoa que deseja ser reconhecida como judeu – por exemplo, a fim de se casar no Estado de Israel, o que apenas pode ser realizado através do Rabinato Chefe – tem que provar suas raízes judaicas. Na lei religiosa judaica, apenas aqueles nascidos de mães judias são considerados judeus. Aqueles que desejam ser reconhecidos como judeus têm que providenciar prova de judaicidade através de documentos, como certidões de nascimento e casamento, de várias gerações passadas.
              Isso pode ser um problema para mais de 400.000 pessoas, particularmente imigrantes e principalmente da antiga União Soviética, que não possuem os documentos necessários.
              As pessoas que não conseguem provar suas raízes judaicas são consideradas “indefinidas”, e tais candidatos têm que se submeter a um longo e tedioso processo de conversão, o qual alguns gostariam de evitar e muitos não conseguem completar.
              Atualmente, o Instituto Eretz Hemdah está preparando um artigo para ser submetido ao Rabinato Chefe detalhando um avanço haláchquico-científico, onde atesta que qualquer pessoa que consegue provar sua judaicidade geneticamente é legalmente (no senso legal judaico) judeu.
              “Nos últimos anos, (pesquisadores) em Israel e no mundo têm estudado o DNA mitocondrial – estruturas dentro das células – que a pessoa recebe de sua mãe”, explicou o Rabino Dov Popper, um conselheiro do Instituto Puah, uma organização internacional baseada em Israel que ajuda casais judeus com problemas de fertilidade.
              “Podemos encontrar esse gene com um simples exame de sangue ou de saliva. Assim que você encontra o gene mitocondrial em uma pessoa, isso serve como uma peça considerável de evidência que prova sua raiz judaica”, disse o Rabino Popper.
              “Se a pesquisa do gene for aceita pelo Rabinato Chefe, isso poderia ser uma mudança significativa para centenas de milhares de pessoas que são consideradas ‘indefinidas’”, disse o Rabino Carmel.
              O avanço será apresentado em uma conferência especial sediada pelo Instituto Puah, em Jerusalém, no dia 6 de junho.
              “Começamos a pesquisar sobre isso por causa da questão da doação de óvulos e as ramificações que teria na judaicidade do recém-nascido”, explicou o Rabino Menachem Burstein, diretor do Instituto Puah.
              “No entanto, é importante notar que essa descoberta não terá uso prático até ser aprovada pelo Rabinato Chefe”, acrescentou.  

              Fonte: Ynet News