sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

O sufganiá, um bolinho frito típico de Hanuká, supera a campanha do Ministério da Saúde de Israel


              Os israelenses estão com dificuldade de engolir a nova campanha do Ministro da Saúde: em nome de uma nutrição adequada, ele tem ido à guerra contra a amada tradição de Hanuká da nação de devorar bolinhos carregados de açúcar, fritos em óleo e recheados de geléia, ou sufganiot!
              Como líder de um poderoso partido político ultra-ortodoxo, Judaísmo Unido da Torá, o Ministro da Saúde, Yaakov Litzman, considera-se o guardião das tradições judaicas. Mas por outro lado, ele é um oficial da consciência saudável na missão de combater a chamada “junk food” (comida que não é saudável) e a obesidade infantil.

Sufganiot em uma variedade de sabores.

              Os dois papéis de Litzman entraram em conflito com sua convocação para evitar a tentação de alta caloria do sufganiá.
              “Eu convoco a todos para evitar comerem sufganiot, que é rico em gorduras”, disse Litzman em uma conferência semana passada, promovendo a boa alimentação. “Você pode encontrar alternativas saudáveis para tudo hoje em dia e não há necessidade de engordarmos nossas crianças.”

Ministro da Saúde, Yaakov Litzman.

              Como parte de sua campanha de alimentação saudável, Litzman batalhou para remover bebidas adoçadas das escolas e também foi contra gigantes da fast food, como o McDonald’s –  ganhando elogios do público por promover uma nutrição adequada.
              “McDonald’s está fora. Não em nosso país”, disse ele, em um refrão que se tornou viral.
              Mas ir contra os sufganiot durante Hanuká é outra história.
              Para a maioria dos israelenses, comer sufganiá é algo essencial para celebrar Hanuká, como acender as velas da hanukia e girar o dreidel.
              Junto com o latke – uma panqueca frita de batatas – é a iguaria mais associada com a festa de oito dias que comemora milagres antigos e o triunfo sobre a opressão. Assim como os antigos Macabeus, que inspiraram o feriado, muitos estão resistindo à campanha de Litzman.
              “Você tem que comer, mas com moderação. É delicioso, é bom, é a época”, disse Gideon Haba, um vendedor de sufganiot do mercado Mahane Yehuda, em Jerusalém. “Eu não acredito que Litzman realmente ele (Litzman) quis dizer isso. É como não acender as velas. Ele apenas queria passar uma mensagem.”
              Yosef Lipsman, um consumidor comprando seu primeiro sufganiá do ano, disse que a tradição é inofensiva, se você não exagera.
              “Farinha branca não faz bem para você, mas tudo é questão de quantidade”, disse ele. “Você pode comer de vez em quando.”
              Hanuká, também conhecida como Festa das Luzes, comemora a revolta dos judeus no século dois a.C. contra o reino grego-sírio, que tento forçar sua cultura aos judeus e profanou o Templo Judaico em Jerusalém. A festa dura oito dias porque, segundo a tradição, quando os judeus rededicaram o Templo em Jerusalém, um frasco de óleo que era para durar apenas um dia, queimou durante oito dias.
              Por isso a tradição de se comer comida engordurada.
              O sufganiá é essencialmente uma bolinha de massa frita em óleo, tradicionalmente recheada com geleia de morango e polvilhada com açúcar. Outras versões são alternativamente recheadas com creme de chocolate, capuchino ou doce de leite.
              Nos últimos anos, virou moda as confeitarias oferecerem versões decoradas com marshmallows, pedacinhos de biscoito, pralines, balas e chantili. Algumas incluem uma seringa onde você pode injetar caramelo, creme de pistache e até vodka no sufganiá, para uma emoção extra.
              Essas adições criaram um sufganiá de 100g que contém até 500 calorias.
              O Burger King recentemente entrou na dança e apresentou seu “SufganiKing” – um whopper padrão servido entre dois sufganiot.
              No Roladin, uma famosa confeitaria de Jerusalém, dúzias de versões elaboradas são vendidas todos os anos.
              “Eles podem ser gordurosos... mas são uma delícia. Por isso são tão gostosos”, disse Haim Newman, um consumidor. “Minha família vem de uma longa tradição de confeiteiros e meu pai sempre diz o que seu avô dizia pra ele: ‘se você quiser algo bom, tem que engordar’”.
              Fonte: Ynet News