quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

3.500 arquivos liberados sobre o caso das crianças iemenitas


              Nesta quarta-feira, o Arquivo Nacional de Israel desclassificou os 3.500 arquivos relacionados ao caso das crianças iemenitas – o misterioso desaparecimento dos bebês iemenitas entre 1948 e 1954.
              Os arquivos contêm 210.000 documentos que podem ser acessados através do site e agora permitirá às famílias saber o que realmente aconteceu com milhares de crianças, onde cada pesquisador será capaz de entrar em arquivos pessoais e examinar onde as crianças foram enterradas e a causa da morte.
Crianças iemenitas

              O caso das crianças iemenitas voltou à tona no debate público em maio deste ano, após a intenção declarada da organização Achim Vekayamim de renovar esforços para descobrir a verdade por trás de um dos casos, que tem causado um reboliço em Israel por várias décadas.
Documentos sobre as crianças desaparecidas

              Devido à pressão popular, o Ministro do Gabinete do Primeiro-Ministro, Tzahi Hanegbi, nomeado por Benjamin Netanyahu, foi ordenado a recomendar que o governo removesse a maior parte da confidencialidade e abrisse os protocolos do Comitê Cohen-Kedmi, responsável pela investigação do caso das crianças iemenitas e disponibilizasse-os na internet.
              Durante uma coletiva de imprensa especial, Benjamin Netanyahu descreveu o desenvolvimento como uma “correção da injustiça”.
"Consertando uma injustiça histórica"

              “Estamos consertando hoje uma injustiça histórica, de negligência, de desaparecimento, de descriminação”, declarou Netanyahu. “Não sabemos o que aconteceu com as crianças iemenitas. Por quase 60 anos, as pessoas não sabem o destino de suas crianças. Não estamos preparados para que isso continue, por isso escolhemos a transparência e a justiça.”
              Três comitês foram criados para investigar o escândalo, para averiguar 1.033 incidentes, dos quais o Comitê Cohen-Kedmi concluiu que 972 bebês morreram e 56 permanecem anônimos. As conclusões desse comitê foram publicadas em 2001.
              O comitê rejeitou as alegações de que as crianças teriam desaparecido como resultado de sequestros institucionalizados, mas deduziu das informações das quais dispunha que, durante o mesmo período, havia “parto ocasional de bebês para adoção em creches e hospitais”.
              A pesquisa dos arquivos de adoção, que agora também foi tornada pública, trouxe luz ao processo de adoção em Israel nos anos 50. No entanto, os nomes das crianças são ocultados, de acordo com a lei. 

Na verdade, um dos arquivos contém informações sobre uma menina nascida em 1950 que “estava sendo cuidada em um jardim de infância pela secretaria do bem estar de Tiberias”. No arquivo está escrito: “A mãe desapareceu e todos os esforços para encontrá-la foram em vão.” Que esforços? De acordo com o documento, um anúncio foi publicado no jornal Davar.
              Os documentos registram outro incidente em que uma menina foi trazida pela mãe para um jardim de infância e apenas um ano depois foram feitas tentativas para encontrar seus pais que não voltaram. Eles estavam longe de ser encontrados. Semelhante ao caso anterior, apenas um anúncio foi publicado no Davar.
              Em 1954, os arquivos revelam que uma menina foi colocada para adocao por um casal de sobreviventes do Holocausto depois que foi alegado que sua mãe havia deiaxdo Israel e o paradeiro de seu pai era desconhecido. A menina foi entregue por um corretor particular, que também deixara Israel e seus novos pais alegaram que nada sabiam sobre o passado da menina ou a identidade de seus pais.
              Neste caso, o arquivo contém o seguinte comentário: “É inconcebível que os requerentes aceitaram a criança sem uma certidão de nascimento ou outro material que comprove a identidade”.
              De acordo com os documentos submetidos ao Comitê Cohen-Kedmi, pela advogada Drora Nehami-Ruth, em 1952, adoções em hospitais era um fenômeno comum. Envolvia corretores e os próprios médicos.
              “Este foi um caso de conduta não autorizada pelos hospitais públicos, entregando crianças que nasceram dentro de suas paredes para todo tipo de pessoa com o propósito de adoção”, escreveu a assessora jurídica. “Eu não quero me delongar nisso, como era fácil tirar vantagem da possibilidade de entregar crianças nascidas fora do casamento para pessoas que procuravam os hospitais em troca de algo.”
              Fonte: Ynet News